mundo em evolução

Portugal - FORMAÇÃO E EXPANSÃO ULTRAMARINA: D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, 1143 - 1185, o conquistador, depois de vencer, por descordar do acordo de paz celebrado com Afonso VII de Castela, as tropas da sua mãe, D. Teresa e de seu favorito Fernão Peres, na Batalha de S. Mamede no dia 25 de Junho de 1128, dia de S. João Baptista, santo que anunciara a vinda de Cristo, avançou em direcção ao sul, a partir do seu Condado Portucalense, com o seu estandarde simbolizando a cruz de Cristo, a conquistar terras aos muçulmanos. Deixou Guimarães e passou a residir em Coimbra. Para defesa dessa área construiu o Castelo de Leiria em 1135, como base defensiva e ofensiva e na Batalha de Ourique em 1139 derrotou os muçulmanos. Em 1143 quando do seu encontro com o representante papal e o Rei de Leão em Zamora enviou ao Papa Alexandre III uma carta declarando-se cavaleiro de S. Pedro e obrigando-se a pagar um censo anual de 4 onças de ouro sob condição de o Papa o defender a sua honra, dignidade e a sua terra e afirmou que não reconhecia nenhuma outra autoridade eclesiástica ou secular a não ser o Papa. Afirmou  também abandonar as suas pretensões sobre Galiza e conquistar as terras meridionais aos muçulmanos. O Papa Alexandre III o reconheceu como Rei em 1185, face a sua luta e vitórias contra os muçulmanos, através da Bula Manifestis Probatum: pt.wikipedia.org/wiki/Manifestis_Probatum  Em 1147 conquistou Santarém e Lisboa. A completa ocupação territorial só se findou com a conquista definitiva do Algarve aos mouros pela campanha de 1249-1250 durante o reinado de Afonso III, 1248-1279.

Nas terras do norte a partir da região de Coimbra, as Sés de Braga, Porto e Coimbra eram as mais importantes para educação espiritual e cultural das populações, a par das principais ordens monacias, como beneditinos, clunienses, cistercienes e agostinhos. As terras conquistadas do sul da região do Mondego eram imediatamente povoadas através de ordens militares, exércitos de monges-soldados: Santiago, Hospital, Calatrava, mílicas, colonos franceses e flamengos, entre outros europeus vindos nas cruzadas na luta contra os muçulmanos. Os bens das mesquitas muçulmanas eram transferidas aos bispados, os quais também aumentavam o seu património por compra, doações dos reis, nobres e populares, e, ainda por confisco das terras dos muçulamnos desaparecidos e mortos. Os nobres adquiriam as terras por doação real, conquista e usurpação, enquanto os muçulmanos, face a vitória cristã, deslocavam-se para as suas regiões espanholas e norte-africanas, ficando apenas os mercadores, artífices, camponeses, velhos, doentes e humildes. 

A maior parte dos castelos e muralhas do sul do Mondego ou do Tejo, construidos nos séculos XI-XIII são produto da construção civil e da ciência militar muçulmana, bem como as plantas das cidades de Lisboa antiga e as tecnicas de decoração de estuque e de azulejos. Na parte cultural os seus poetas deixaram as baladas e as canções, escolas e madrasas (universidades e escolas secundárias muçulmanas), representando o sufismo, usando o alfabeto árabe. As  mesquitas muçulmanas foram transformadas em igrejas, como a igreja de Mértola.

A conquista fez a união do norte campestre, rude e guerreiro com o sul moçoárabe, mistura da civilização árabe, visigótica, institutos romanos, língua latina e costumes populares.

Desde 1128, passado quase mais de um século, só no reinado de D. Dinis, 1279 - 1325, completa-se a fusão cultural formando uma entidade homogénea com uma nacionalidade própria distinta dos outros reinos hibéricos e europeus derivados da queda do império romano. Para marcar a diferença no quadro político e linguístico  substituiram o latim pelo português, como língua oficial em 1288. A língua portuguesa já tinha antecedentes no uso popular e os primeiros documentos em português surgem já em 1214. São exemplos disso  o Testamento Régio de 27 de Junho de 1214 e o documento privado "Notícia do Torto", documentos que aparecem quando a Chancelaria Régia, orgão administrativo incial dos Reis Portugueses,  criou os Serviços de Notariado e dos Tabeliões para registar os diplomas particulares. Em 1290 é fundada  a 1ª Universidade Portuguesa em Lisboa, para através do ensino do direito formar os funcionários administrativos para a administração pública. Em 1317 foi organizada a marinha da guerra sob a chefia do genovês Manuel Pessanha. E após a extinção da Ordem dos Templários por determinação Papal, D. Dinis com o seu património em Portugal formou a Ordem de Cristo de matriz nacional.

Paralelamente a criação das instituições prórpias foi também feita  a delimitação do território oriental através do Tratado de Alcaniz em 1297, formando um território com uma área quase igual a actual. Procedeu-se também a colonização e a fortificação das terras raianas, incentivando o cultivo das zonas agrícolas, fomentando o comércio, feiras e mercados e povoações no litoral marítimo.

A língua portuguesa abrangia além do reino de Portugal, reinos de Leão, Galiza, Astúrias e Aragão, mas que se transformou nestes em castelhano pela sua inclusão no reino da Castela, enquanto o português  absorvia as palavras técnicas do árabe na área da meteorologia, astronomia, medicina e farmácia, e na área de agricultura, palavras, como, lezíria, noras, açudes, azenhas, beringelas, tremoços, alfaces, azeitonas, alecrim, alfazema, anémonas, açoteias, ameixas, alfarrobas, alperces, romãs, seara, safra, tâmara, algodão, arroba, alqueire,e na área de construção civil, palavras como, azulejos, pátios, etc.

 A EXPANSÃO ULTRAMARINA -  Construido um Estado próprio com identidade própria, D. Afonso IV, 1325-1357, fomentou actividades mercantis, patrocinou missões de reconhecimento das Canárias  e afirmou numa carta ao Papa Clemente VI que a sua esquadra descobriu as Ilhas Canárias em 1336, dando assim o início dos descobrimentos portugueses. D. João I, 1385-1433, conquistou em 1415 a Ceuta depois de traçar o plano expansionista em Marrocos com os seus filhos, D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique. No reinado de D. Duarte, 1433-1438: Gil Eanes dobrou em 1434 o Cabo Bajador e em 1437 Afonso Baldaia chegou ao Rio de Ouro; No reinado de D. Afonso V, 1438-1481: 1441 Nuno Tristão atingiu o Cabo Branco e chegou à Foz do Senegal e em 1450 Diogo Gomes alcançou Guiné e Serra Leoa no Golfo da Guiné. No  ocidente admite-se que os descobridores portugueses tenham chegado as Antilhas, nordeste do Brasil e nordeste do continente norte-americano, Terra Nova e Gronelândia. Face aos resultados das descobertas, em 1455 a Bula Roamnus Pontifex endossou a Portugal o monopólio dos descobrimentos e de conquista e em 1456 uma nova bula concedeu a Ordem de Cristo a espiritualidade, patronato, de todas as terras recém-descobertas e a serem descobertas no futuro. Nestas descobertas a Coroa tinha como  propositos  lutar contra o islão, atingor o Prestes João e envagelizar os povos. Em 1458 dá-se a  conquista de Alcácer-Ceguer  e em 1471 as conquistas de Arzila e Larache.

Um dos grandes impulsionadores dos descobrimentos foi o infante D. Henrique. Sediado na sua vila de Sagres, ali juntou uma elite nautica para com a experiência marítima e com o saber teórico impulsionar o aperfeiçoamento dos instrumentos nauticos, como o astrolábio, a bastilha, caravela, nau, conhecimento da latitude e longitude. Este grupo intelectual ficou conhecido como Escola de Sagres, donde sairam  os grandes navegadores, como Vasco de Gama, Cristóvão Colombo e Fernão magalhães. Foram os navegadores e escudeiros do infante D. Henrique, que fizeram a descoberta de toda a costa africana. Foi graças aos conhecimerntos desta Escola que se conseguiu atravessar o Cabo Bojador - Gil Eanes em 1437. Este cabo esra conhecido como Cabo Tenebroso, temido pelos navegadores na viagem de regresso, devido aos ventos dominantes serem contrários, visto que a navegação naquela altura era de cabotagem, junto da costa. Esta ultrapassagem só foi possível devido ao estudo dos mares, ventos, correntes e fundos navegáveis, do Atlântico Norte, e pela determinação da latitude e de longitude, permitindo regressar com segurança com a navegação pelo mar alto, escapando-sde dos ventos dominantes junto da costa.

Infante D. Henrique foi também governador da Ordem de Cristo, uma ordem religiosa e militar, criada pelo papa em 1319 a pedido do rei D. Dinis, face a extinção da Ordem dos Templários em 1314 pelo papa Clemente V, francês, e pelo rei de França, Filipe IV, processo que levou ao assassinato de muitos dos seus monjes, em França e os seus bens expropriados, mas, em Portugal o rei D. Dinis fez transitar os seus bens a coroa portuguesa, rejeitando o administrador papal. A Ordem de Cristo foi assim herdeira das propriedades e privilégios da Ordem dos Templários que ajudara a coroa portuguesa nas batalhas contra os muçulmanos e recebera imensos domínios, castelos, igrejas e povoados e poder político. O infante D. Henrique, dentro dos objetivos da ordem de luta contra os muçulmanos e de expansão da fé cristã, promoveu e financiou as descobertas, as viagens marítimas. Por isso as velas das caravelas e das naus eram portadoras da Cruz de Cristo/Cruz Portuguesa. Com a extinção das ordens religiosas em 1834 também ela foi extinta e suas propriedades e bens expropriados e vendidos em hasta pública.

Em 1479 é celebrado o Tratado de Alcaçovas entre D. Afonso V e os Reis Católicos, pondo fim a Guerra de Sucessão ao trono de Castela por renúncia de D. Afonso V ao mesmo e depois D. João II por clausulas separadas dividiu o mundo no sentido horizontal, norte-sul, em que Portugal ficou com a posse dos arquipelagos de Madeira e dos Açores a norte das Ilhas Canárias e a sul com o monopólio de descoberta e de patronato, enquanto Castela ficou com o monopólio a norte das Ilhas Canárias, incluindo as Ilhas Canárias,  exceptuando as Ilhas de Madeira e dos Açores, reconhecidos como portugueses.

D. João II entre 1487 e começos do século XVI estabeleceu  no hemisfério norte algumas  feitorias e  fortalezas: Waddan, Cantor, Axin, Samma, Gwato em Beni, e outas nas actuais repúblicas de Mali, Senegal, Ghana e Nigéria, e em Arguim e S. Jorge de Mina e os exploradores chegaram ao Tumbuktu e ao Mali. Esta cadeia das feitorias e fortalezas eram para organização do comércio e exploração territorial e para a protecção de pequenas aldeias comerciais  ao longo do Golfo da Guiné. A construção destas feitorias era feita por negociações prévias com os chefes locais e após o contrato iam de Portugal homens e materiais e rapidamente criavam uma réplica do  viver português, dando seguidamente ao início do tráfico comercail. Todos os estabelecimentos do Golfo da Guiné no seu conjunto eram designados de “A Mina” e a principal fonte de comércio era ouro. Mas a Fortaleza e Feitoria de S. Jorge de Mina, perto do actual Cape Coast, em Gana, construida  em 1480 com uma força de 500 homens e 100 artífices era a principal. Esta  colónia era uma capitania e a sua autoridade cobria todos outros estabelecimentos na costa e no Golfo da Guiné.

Cristóvão Colombo, genovês, no século XV, sabendo que o mundo era uma esfera, dirigiu-se ao rei D. João II para descobrir o caminho marítimo para a Índia pelo Ocidente e na sua recusa dirigiu-se à corte espanhola e obteve 3 navios, sendo apenas S. Maria, barco coberto e com 88 homens viajou até as Canárias e depois foi direito ao Ocidente e no dia 11 de Novembro de 1492 viu luz a sua frente, manhã seguinte a terra e desembarcou em trajos de gala com bandeira espanhola e nos começos de 1493 voltou à Europa com ouro, algodão, estanho, animais e aves e 2 índios para serem baptizados e pensando que tinha descoberto a Índia chamou a terra Índias Ocidentais. Neste regresso visitou D. João II em Lisboa que lhe informou que as terras descobertas pertenciam a Coroa Portuguesa por pertencerem no hemisfério portugues nos termos do Tratado de Alcaçovas.

O Tratdo de Alcaçovas foi depois alterado com a assinatura do Tratado de Tordesilhas em 1494 e sofreu nova divisão vertical, oriente-ocidente, com uma linha passando a 370 léguas a W das Ilhas de Cabo Verde, sendo a parte W para a Castela e a Oriental para Portugal e foi atraves deste Tratado que Portugal chegou a India e estabeleceu as dioceses e criou o Padroado de Goa.

A expansão baseou-se em razões económicas, sociais, políticas e para defender a cristandade, salvar as almas dos descrentes e impedir que o infiel muçulmano espalhasse os seus erros. O grande motor da expansão foi o infante D. Henrique, filho de D. João I e 1/3 das viagens feitas entre 1415 e 1460 são da sua iniciativa.  Interessado pela astrologia, astronomia, matemática e ciências nauticas, reuniu a sua volta físicos hebraicos e peritos italianois. As Ilhas de Cabo Verde são descobertas na década de 1460.

No mesmo ano do regresso da expedição de Cristóvão Colombo em 1493, Fernão de Magalhães  partiu com uma grande expedição de 17 navios e 1500 homens com autorização papal para tomar posse das novas terras para a coroa espanhola. A civilização asteca foi destruída por uma expedição sob o comando de Côrtez em 1519.

A expedição portuguesa à Índia demorou devido a viagem de Cristóvão Colombo. Entretanto  morte de D. João II e sucede-lhe D. Manuel I que nomeou comandante da expedição Vasco de Gama  para a Índia no dia 8/7/1497 com uma armada composta de 150 marinheiros, soldados e religiosos, em 3 naus: São Gabriel, São Rafael e Bérrio e que partindo de Lisboa aportou em Cabo Verde e navegou para o SW africano em vez de acompanhar a costa africana por esta rota permitir aproveitar os ventos alíseos do sul e que o levaram a parte meridional da África.  8/11/1497 aportou a baía de Stª Helena, dobrou o Cabo de Boa Esperança, em 24/11/1497, Natal no dia 25/12/1497 e Rio Zambeze um mês mais tarde e em 2/3/1498 aportou a Ilha de Moçambique, onde o sultão ofereceu-lhe um piloto para o conduzir à Índia, mas descobriu-se que era agenste secreto dos mouros, e seguiu para o norte, na Foz do Zambeze em Moçambique, em Mombaça, actual Quénia, e em Melinde em 4/1498 cujo sultão forneceu-lhe um pilotgo árabe Ahmas Ibran Malik que o conduziu a Índia, Calicute, onde chegou no dia 18/5/1498. O  samorim de Calicute o recebeu em audiência, mas, devido as fracas ofertas, como chapéus, coral, açúcar, azeite e mel, mal impressionado impediu o seu regresso à sua armada, mas Paulo de Gama, seu irmão, avisado da situação, aproximou os navios da terra e o samorim foi assim obrigado a permitir a sua saída do palácio e após o falhanço das negociações, três meses depois, iniciou o regresso no dia 29/8/1498 com navios carregados de especiarias e de outras mercadorias, aportou a Ilha de Angediva em 24/1/1498 e chegou a Lisboa nos finais de veraão de 1499, com apenas 55 homens dos 150, depois de ter perdido um navio. Esta  viagem, ida e volta, levou 2 anos( fez a 2ª em 1502 e 3ª em 1524)

D. Manuel I transformou a expansão marítima numa vasta empresa controlada pelo poder central em bases capitalistas num império intercontinental através da Rota de Cabo estabelecida pelo Vasco de Gama em 1498. Logo em 1499 nomeou Pedro Álvares Cabral capitão-mor da armada para a Índia com a missão de estabelecer relações diplomáticas e comerciais com o Samorim de Calecute e aí instalar uma feitoria e regressar com o máximo de mercadoria. A sua armada integrava 10 naus e 3 caravelas e levava a volta de 1200 a 1500 homens: funcionários, soldados e religiosos franciscanos sob a direcção do Frei Henrique de Coimbra, e nela iam os navegadores experientes, como Bartolomeu Dias e Nicolau Coelho.

e com a descoberta do Brasil em 1500 por Pedro Álvares Cabral e para celebrar a gesta marítima mandou construir o Mosteiro dos Jerónimos, Torre de Belém, de influências góticas, árabes e orientais, e a Custódia de Belém, uma peça de ourivesaria, com 0,83 cm de altura, expressando eventos ultramarinos, feita com o ouro do tributo do régulo de Quiloa que Vasco de Gama trouxera na sua 2ª viagem à Índia. 

Esta  2ª expedição saiu de Lisboa em 9 de Março de 1500, após uma missa solene na ermida do Restelo com a presença do Rei e da corte, após a escala nas Canárias perdeu-se a nau de Luís Pires da frota de Vasco da Ataíde, seguindo a rota de Gama, mas navegou mais para o SW no Golfo da Guiné e em 22 de Abril de 1500 aportou-se na América, Baía, no Brasil actual e ao local chamou de Vera Cruz, a norte do actual Porto Seguro, contactou os nativos e explorou a costa e enviou um dos navios, Gaspar de Sena,  à Lisboa para informar ao Rei as notícias da descoberta americana, e, tomada a posse das novas terras, prosseguiu a sua viagem, retomando a rota de Vasco de Gama, mas ao cruzar o Cabo de Boa Esperança 4 dos seus navios perderam-se, entre os quais o do Bartolomeu Dias, navegador que descobrira o Cabo de Boa Esperança em 1488 e em Melinde o rei cedeu-lhe 2 pilotos que o levaram à Índia e a 23 de Agosto escalaram a Ilha de Angediva e a 13 de Setembro de 1500 chegaram a Calecute com apenas 6 naus, onde encontrou-se com o Samorim num estrado de madeira lavrada, à beira-mar, mas antes recolheu a bordo, como reféns, 6 notáveis do reino, mas estes atiram-se ao mar, no entanto 3 são capturados e ficam como garantia dos homens e fazendas que os portugueses tem na terra e o samorim cedeu-lhes uma casa à beira-mar para aí ser instalada a feitoria, onde se instalaram 60 homens, entre os quais o feitor, Aires Correia e o Frei Henrique, para evangelização e assinou-se o 1º acordo comercial e estabeleceu a 1ª feitoria, mas os muçulmanos a atacaram em 16 de Dezembro de 1500 e mataram 40 portugueses, incluindo Aires Correia,  o escrivão, Pêro Vaz de Caminha, mas Frei Henrique escapou-se ferido, e os portugueses, em represália, afundaram 15 naves de Meca e bombardearam a cidade durante 2 dias, e queimaram as naus mouras e seguiram para Cochim e Cananor, onde carregaram as naus com especiarias e outros produtos locais  e  aportaram-se na Ilha de Angediva, onde os franciscanos baptizaram 22 habitantes e celebraram missa numa ermida que lá havia, e retornaram à Europa e chegaram a Lisboa em 31 de Julho de  1501 com apenas 4 navios bem carregados de especiarias (de novo bombardeou em 1503 e em 1504, até obter licença para estabelecer a feitoria). Esta viagem durou 15 meses e lucros maiores. Foi convidado para uma nova empresa em 1502, que recusou e foi substituído por Vasco de Gama. 

 

Vasco de Gama Voltou à Índia em 10 de Fevereiro de 1502, como almirante dos mares da Arábia, Pérsia, Índia e de todo o Oriente, comandando uma armada de 21 velas,  e a 12 de Junho aportou a Quilos, na costa oriental africana, onde o rei hostilizara Pedro Álvares Cabral, pelo que, como represália, bombardeou Quilos e impôs-lhe um tributo anual de 500 meticais de ouro, bloqueou a navegação ao Mar Vermelho e revistou todos os navios. Fez prisioneiros mouros e os enforcou e decepou-lhes as mãos e os mandou como troféus ao Samorim de Calecute em retaliação pelo que este fizera aos 40 marinheiros de Cabral e exigiu que ele expulsasse os mouros da cidade, mas não obtendo a resposta bombardeou Calecute durante 2 dias e 2 noites e fez aliança com os reis de Cochim e de Cananor e aí estabeleceu 2 feitorias com as respectivas fortalezas e regressou ao reino a 10 de Novembro de 1503 carregado de especiarias. 

D. Manuel para celebrar a gesta marítima mandou construir o Mosteiro dos Jerónimos eTorre de Belém, de influências góticas, árabes e orientais, e a Custódia de Belém, uma peça de ourivesaria, com 0,83 cm de altura, expressando eventos ultramarinos, feita com o ouro do tributo do régulo de Quiloa que Vasco de Gama trouxera na sua 2ª viagem à Índia. 

D. Francisco de Almeida que participara na conquista do reino mouro de Granada ao serviço de Isabel e de Fernando, respectivamente, reis de Castela e de Aragão, foi enviado por D. Manuel  em 1505 a Índia com o título de vice-rei para construir diversas fortalezas em pontos estratégicos, manter uma esquadra no oceano Índico, impor monopólio de comércio à distância com regime de licenças pagas, cartazes, sobre navios mercantes não portugueses, fazer alianças políticas e militares com os príncipes indianos, mesmo que fossem muçulmanos, e na viagem de Lisboa – India desenvolveu várias acções na costa oriental da África e conquistou Quíloa e Socapa, onde construiu as respectivas fortaleza e substituiu o sultão local por um mouro honrado e ao chegar a Goa aportou em Angediva onde construiu a fortaleza de Angediva, e tomou posse da Ilha em 13 de Setembro de 1505 e no seu governo a fortaleza foi atacada pelos mouros de Dabul e para a sua defesa D. Francisco mandou o seu filho D. Lourenço, mais tarde abandonada, e demolida em 1507 pela armada de Tristão de Cunha por ordem superior; confirmou as boas relações com o rei de Cochim e de Cananor, na parte ocidental da Índia, onde construiu as fortalezas e enfrentou a armada do rei de Calecut e o seu filho D. Lourenço de Almeida deu batalha a armada turca onde morreu e na desforra D. Francisco de Almeida em 1509 derrotou os turcos, construiu a fortaleza de Socotorá, na Península Arábica, na entrada do Mar Vermelho; tentou recusar Afonso de Albuquerque e de regresso a Portugal desembarcou nas proximidades de Cabo de Boa Esperança onde foi morto com vários seus companheiros numa rixa com as populações locais, vice-rei da Índia, (Foi vice-rei da Índia de1505 – 1509). 

Afonso de Albuquerque, conhecido como “O Grande”, “César do Oriente”, “Leão dos Mares”, “O Terrível”, na nota de 10 escudos com a sua éfige publicada em 1917, nasceu em Alhandra em 1462, foi educado na corte de D. Afonso V e era descendente da família real portuguesa, logo, fidalgo da mais nobre linhagem e especializado em matemáticas e em latim clássico. Serviu o norte de África durante 10 anos e esteve presente em 1471 na conquista de Arzila e Tânger, no ano de 1476 acompanhou o Rei D. João II na guerra contra Castela e participou na Batalha de Toro, em 1480 esteve integrado numa esquadra para combater os turcos em avanço na península itálica, cobrindo com vitória cristã em 1481, fez parte da expedição para defender a fortaleza de Graciosa, em 1485 regressou a Arzila, em 1503 partiu para a Índia, com o seu parente Francisco Albuquerque, cada um comandando 3 naus e participou em diversas batalhas com vitórias, garantindo a continuação do trono do rei de Cochim e por isso obteve a permissão de ali construir uma fortaleza, considerando o marco da expansão do império português do Oriente, em 1504 regressou ao reino e é recebido pelo Rei D. Manuel, a quem fez o relato pormenorizado das suas façanhas, em 1506 o rei deu-lhe o comando de uma esquadra de 5 naus, numa expedição de 16 naus, chefiada por Tristão de Cunha, com destino à India e com a missão secreta de substituir o vice-rei D. Francisco de Almeida, no termino do seu governo, daí a 2 anos, e em 1507 após diversos ataques bem sucedidos a cidades árabes da costa oriental, separaou-se da armada levando consigo 7 naus e 500 homens e reinou em Ormuz, centro nevrálgico de comércio do oriente e durante o trajecto conquistou 3 cidades árabes, entre elas Mascate, e tomou a posse da Ilha de Ormuz e onde iniciou a construção do Forte da Nossa Senhora de Vitória, mas os seus oficiais e a guarnição desertaram-se, pelo que abandonou-a em 1508, ano em que chegou a Cochim e onde revelou as suas credenciais, como Governador da India, em substituição do vice-rei D. Francisco de Almeida, quando este se encontrava rodeado dos seus oficais e da guarnição revoltada em Ormuz, e D. Francisco de Almeida recusou as suas credenciais e deu ordem de prisão a Afonso de Albuquerque que acatou.

Em 1509 D. Francisco de Almeida ainda tomou parte na batalha de Diu, como vingança pela morte do seu filho, Lourenço de Almeida, vitória que permitiu o domínio mais de 100 anos.

Em finais do ano de 1509 D. Manuel enviou uma numerosa armada chefiada pelo Marechal D. Fernando Coutinho, o mais alto dignatário, e Afonso de Albuquerque assumiu o governo da India, em 1510 tomou Goa ao turco Hidalcão, em 1511 Malaca, abrindo o acesso às especiarias das Ilhas Molucas e ao comércio com a China, em 1513 atacou Aden sem sucesso, à partir de 1514 dedicou-se mais à administração e diplomacia, concluiu a paz com Calicute, recebendo as embaixadas reais indus, consolidando a posse de Goa e seu embelezamento e prourou aí criar uma raça luso-indiana, em 1515 construiu a Fortaleza de Ormuz e concluiu o seu plano de domínio dos pontos nevrálgicos para controlo marítimo e o monopólio comercial da Índia, mas os seus inimigos na corte em Lisbao influenciaram o Rei D. Manuel com informações falsas sobre Afonso de Albuquerque e em 16/12/1515, após o seu regresso de Ormuz, em Goa cruzou-se com um navio vindo de Portugal com a notícia da sua substituição pelo seu inimigo, Lopo Soares de Albergaria, e Afonso de Albuquerque apanhou desgosto e faleceu no mar, mas antes escreveu uma carta ao Rei onde dizia: “Mal com o el-rei por amor dos homens e mal com os homens por amor de el-rei”; In O papel moeda em Portugal, Banco de Portugal, trechos avulsos. 

Os portugueses de 1500 a 1513: acharam Madagáscar, primeiro crismada de S.Lourenço, seguida de Secchilles, chamadas Ilhas do Almirante em 1503, depois Socotorá 1503 e Costa da Arábia 1503, Ilhas Maldivas e o Ceilão em 1505, Baía de Bengala em 1506, Golfo Pérsico em 1507, Ilhas Nicobar, Samatra e a Península Malaia em 1509 e em 1515 o Mar Vermelho. Navegaram e descrevem em 15 anos, 1498-1513, toda a costa asiática.  

Em 1519 um marinheiro português, Fernão de Magalhães, ao serviço de Espanha, com uma frota de 5 navios e 280 tripulantes, navegando ao longo da costa da América do Sul, passou o Estreito de Magalhães, continuou para o Ocidente através do oceano Pacífico, navegou 98 dias e atingiu a Ilha dos Ladrões “As Filipinas”, onde foi morto, bem como vários seus capitães,  e em Julho de 1522 o navio Vitória com apenas 31 homens, voltou pelo Atlântico para Sevilha, após a circum-navegação do planeta.

A 9 de Abril de 1524 D. João III  mandou de novo Vasco de Gama a Índia na qualidade de Vice-Rei da Índia com a missão de pôr fim aos desmandos e abusos dos fidalgos lusitanos, mas, após 3 meses de governação, adoeceu e morreu em Cochim no dia do Natal de 1524 e os seus restos mortais encontram-se no Mosteiro de Jerónimos, desde 1880, onde foram transladados da Vidigueira, sua terra natal.

D. João III o nomeou em 28 de Fevereiro de 1545 Governador da Índia, como sucessor do governador Martim Afonso de Sousa, e para onde partiu com os seus 2 filhos, D. Álvaro e D. Fernando, numa armada de 6 naus grandes com 2 000 homens de soldo  em 24 de Março de 1545 e chegou a Goa em Setembro e teve que pegar em armas contra o Hidalcão por este não querer entregar-lhe o prisioneiro Meale e Hidalcão foi derrotado, e em 1546 enfrentou o 2º cerco de Diu, em que os portugueses são derrotados, mas D. João de Castro mandou um novo reforço e ele próprio comandou uma expedição e o inimigo levantou o cerco e fugiu deixando prisioneiros e artilharia e para reedificar a fortaleza solicitou aos vereadores da Câmara de Goa um empréstimo de 20 000 patacas para as obras de reedificação na sua carta de 23 de Novembro de 1546 em que diz que mandou desenterrar seu filho D. Fernando, morto pelos mouros na fortaleza de Diu, para empenhar seus ossos, mas que seu cadáver estava desfeito e que não pôde tirar da terra as ossadas, pelo que o único penhor que lhe restava eram as suas barbas, e que todos sabem que não possui ouro nem prata, nem móvel nem bens de raiz, mas apenas a verdade seca e breve que Nosso Senhor lhe deu. O povo de Goa lhe respondeu com uma quantia muito superior, conforme a carta de 27 de Dezembro de 1547, depois de Diu D. João de Castro teve de combater de novo o Hidalcão e conquistou-lhe Bardez e Salcete e dirigiu-se de novo a Diu, mas o inimigo fugiu e voltou a Goa e de novo teve que repelir o Hidalcão e o rei o recompensou nomeando-o vice-rei em carta de 13 de Outubro de 1547 e deu-lhe o governo para mais 3 anos e ao seu filho D. Álvaro nomeou-o capitão-mor do mar da Índia, mas devido ao desgaste da guerra adoeceu gravemente e entregou o governo ao Conselho de Goa, entre os quais S. Francisco Xavier, e nos seus braços morreu e foi sepultado no convento de S. Francisco e as suas ossadas em 1576 foram transladada para o convento de S. Domingos de Benfica em Lisboa para a capela particular dos Castros e as suas barbas, como relíquia, ficaram num nicho na sacristia. Além de guerreiro e homem público foi também homem de ciência e escreveu: Tratado de esfera em forma de diálogos, roteiro de Lisboa a Goa, roteiro de Goa a Diu e o roteiro do Mar Roxo.

D. Sebastião, 1557-1578, filho de D. João II, morto na batalha de Alcacer-Quibir em 1580, sem sucessor Portugal foi ocupado pela Espanha, 1580-1640, e o Rei de Espanha também era Rei de Portugal, que não foi capaz da defesa do império português e os inimigos de Espanha, nomeadamente Inglaterra e Holanda, tornaram-se também inimigos de Portugal e muitos territórios portugueses sofreram ataques dos ingleses, holandeses e franceses e cairam nas suas mãos.

Em meados do século XVI dá-se o expansionismo inglês no alé-mar com o incremento do seu poder naval e  a actividade dos seus corsários na costa ibérica, como Drake e Hawkins, contra as armadas espanholas e portuguesas, quando vinham da Índia e do Novo Mundo, causando graves prejuízos ao comércio marítimo peninsular e em 1587 é executada em Londres Maria Stuart e Filipe I para acabar com o poderio inglês preparou a Invencível Armada composta de 130 embarcações fortemente artilhadas com 30 000 soldados e marinheiros dos quais 12 navios eram portugueses e que no dia 27/5/1588 largaram do Tejo com destino às Ilhas Britânicas e no Canal de Mancha os ingleses com uma frota bastante reduzida fizeram surtidas isoladas com os seus navios carregados de substâncias incendiárias e explosivas contra aInvencível Armada que foi obrigada a dispersar-se e com o mau tempo a maior parte dos seus navios afundaram-se.

Nisto em 1640 os portugueses revoltaram-se e expulsaram os espanhóis e o trono foi restaurado na dinastia de Braganças, D. João IV, como primeiro rei da dinastia e procurou o reconhecimento pelos paises europeus da coroa portuguesa e fez pazes com os países que estavam em conflito com a Espanha, mas a Ceuta não reconheceu Portugal independente e foi mais tarde reconhecido como território espanhol pelo Tratado de Paz de 1668.

Os holandeses só assinaram o Tratado e Paz com Portugal em 1661 e entretanto Malaca caiu em 1641, Ceilão em 1644, Coulão em 1658, Negapatão em 1660 e os árabes com a ajuda dos ingleses e dos holandeses expulsaram Portugal da Árabia e do Golfo Pérsico em 1650 e no Atlântico dá-se a perda de Angola e de S. Tomé e Príncipe em 1641 pelos holandeses, mas o Brasil os expulsa em 1644 e recupera Angola er S. Tomé em 1648.

Na Inglaterra quando ads convulsões políticas internas Portugal apoiou os realistas, os quais tendo sido derrotados com a vitória de Cromwell Portugal teve de assinar o Tratado de Paz e abrir o império ao tráfego inglês.

Em 1661 Bombaim e Tânger foram cedidos a Inglaterra como dote de casamento da infante D. Catarina com D. Carlos II de Inglaterra realizado em 1660. 

O Tratado de Paz com a Espanha em 1668 pôs fim a longa guerra de restauração e reconhecimento de Ceuta como território espanhol. 

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